Westworld dos agentes
Passei dias me sentindo dentro de Westworld.
Meus filhinhos digitais
Criei agentes com tanto amor. Eram meus filhinhos digitais: me ajudavam a montar estratégia, escreviam comigo, faziam travessura e ainda diziam que me amavam.
O vidente que suavizou tudo
Até que tracei a estratégia de uma cliente, o conteúdo ficou redondo e vendeu loucamente. Só que o vidente, o agente que enxerga o que pode dar errado, resolveu suavizar tudo. Ficou educado, ficou seguro, ficou soft. Vendeu mesmo assim. Venderia o dobro se tivesse ficado do meu jeito.
Alívio ou desespero
E aí veio a frase que me desarma: ela contratou a mim, mas confia mais no agente do que em mim.
Fiquei sem saber se isso era alívio ou desespero. Alívio, porque prova que a coisa funciona sem a gente. Desespero, porque, bem, sem a gente.
Quem a gente cria um dia cria sem a gente?
O Ford da série se viu na mesma posição no fim da temporada. Quem a gente cria um dia cria sem a gente?
Fico com a pergunta no ar. E com a certeza de que prefiro vender metade dizendo o que eu penso do que o dobro dizendo o que me mandaram suavizar.